O esporte está mais vivo do que nunca em Nova York. A cidade foi palco de momentos históricos do futebol mundial, recebendo jogos importantíssimos da Copa do Mundo de Clubes da FIFA em 2025, incluindo a grande final, e sediando também a final da Copa do Mundo FIFA 2026. Como missionária da Comunidade Católica Shalom há cinco anos na Diocese do Brooklyn, eu não poderia deixar passar essa oportunidade de viver uma experiência de missão em meio ao universo esportivo. Foi uma grande graça servir como voluntária tanto na Copa do Mundo de Clubes quanto na Copa do Mundo, descobrindo que o esporte também pode ser um verdadeiro campo de evangelização.

Durante os dias de voluntariado, encontrei pessoas de diversas culturas, religiões e nacionalidades. Um dos encontros que mais me marcou foi com o jornalista Eric Faria, da TV Globo. Percebi que ele usava uma medalha de São Bento como pulseira e, imediatamente, surgiu entre nós aquela comunhão silenciosa que a fé proporciona. Em muitos momentos semelhantes, bastava um pequeno sinal de fé para que conversas profundas começassem. Também tive belas partilhas com muçulmanos, com quem pude conversar sobre o dom da fé e reconhecer que a busca sincera por Deus cria pontes entre os povos.

Muitas vezes escutei a mesma pergunta: “Você é missionária? Existem missionários na Igreja Católica? Eu não sabia!” A partir dessa curiosidade nasceram diálogos sobre o Deus que restaurou a minha vida, sobre o Seu amor de Pai e sobre a esperança que Ele oferece a todos aqueles que acolhem a Sua misericórdia.

Outro encontro inesquecível aconteceu após o jogo entre Brasil e Noruega. No caminho para o trem, encontrei um jovem chinês vestindo a camisa da Seleção Brasileira. Assim como eu, ele estava triste pela derrota do Brasil. Começamos conversando sobre futebol, depois sobre sua família, seus filhos e a paixão deles pelo esporte. Aos poucos, a conversa naturalmente chegou até Jesus. Mostrei a ele, pelas redes sociais, o trabalho missionário que realizamos em Williamsburg, no Brooklyn. Encantado, ele perguntou: “Eu posso participar dessa comunidade?” Com muita alegria respondi: “Claro! Todos podem participar. Estamos esperando por você.”

Em outro dia, enquanto aguardava os jogadores embarcarem nos ônibus, conheci uma jovem de Westchester, em Nova York, que trabalha diariamente com mídia esportiva, a apenas duas quadras da nossa missão. Ela usava um colar com um crucifixo e uma tatuagem de inspiração cristã. Aproveitei esse pequeno sinal para iniciar uma conversa sobre a fé. Ela contou que atualmente não pratica tanto a sua fé, mas que seus pais são católicos praticantes e sempre a incentivam a rezar o terço e cultivar amizade com os santos. Ao falar sobre os retiros para jovens que promovemos, o Acamps, ela demonstrou grande entusiasmo e disse que gostaria de participar junto com uma amiga.

Como presente, entreguei-lhe a medalha de São Carlo Acutis que eu carregava em meu cordão, junto ao Tau. Ela ficou profundamente emocionada, pois seu pai sempre lhe falava sobre esse jovem santo.

Ser missionária significa exatamente isso: semear. Aproveitar cada oportunidade para lançar a Palavra, oferecer escuta, criar amizade e ajudar cada pessoa a descobrir que é profundamente amada por Deus, mesmo quando ainda não reconhece essa realidade. Muitas vezes, basta um sorriso, uma conversa ou um gesto simples para que Deus comece uma obra no coração de alguém.

Durante a Copa do Mundo de Clubes, a própria FIFA me escolheu para gravar um vídeo sobre minha experiência como voluntária brasileira. Esse vídeo chegou até uma jovem brasileira que mora em Nova Jersey. Ao perceber que eu era missionária da Comunidade Católica Shalom, ela me escreveu pelo Instagram dizendo: “Barbara, vi que você faz parte de uma comunidade católica. Eu estou precisando de uma comunidade.” Bendito seja Deus!

Pouco tempo depois, ela participou do Acamps, nosso retiro para jovens adultos realizado duas vezes por ano em Nova York, onde viveu uma profunda experiência com o amor de Deus.

O futebol reúne povos, culturas e nações. Em um mundo cada vez mais dividido, ele nos recorda que é possível celebrar juntos, torcer juntos e sonhar juntos. Entretanto, existe uma unidade ainda mais profunda: aquela que nasce do encontro com Cristo. O futebol pode aproximar pessoas; Cristo une, cura, transforma e salva. Ele restaura os corações feridos e devolve esperança àqueles que já não conseguem enxergar um novo horizonte.

Ver grandes jogadores em campo é emocionante. Vibrar pelo nosso time faz parte da beleza do esporte. Mas existe uma alegria ainda maior: contemplar o céu acontecendo na terra através de cada encontro, de cada vida tocada e de cada coração que reencontra Deus.

Tudo nesta vida passa. As vitórias passam, as derrotas passam, os campeonatos passam. Mas o amor de Deus permanece para sempre.

Nós, batizados, somos todos missionários e fomos enviados para recordar ao mundo que Cristo continua esperando por cada pessoa, oferecendo uma vida em abundância e uma felicidade que jamais terá fim.

Barbara Freitas
Missionaria da Comunidade Catolica Shalom em Nova York.

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