Durante nossas vidas estamos sempre a procurar melhorar tudo aquilo que 
fazemos, mas nem sempre isso é possível, mas também se não colocarmos o 
nosso aprofundamento espiritual em primeiríssimo lugar, certamente jamais 
atingiremos a excelência do resultado naquilo que consideramos como 
fundamental em nossas vidas. 
Percebi tudo isso ao longo dos meus 71 anos de vida, dedicados ao esporte e a 
vida empresarial, onde tive a oportunidade de experimentar a maravilha de meus 
resultados positivos no esporte, mas também a frustrações dos resultados 
perdidos, a dor das perdas dramáticas de pessoas muito próximas e da minha 
queda no dia 25 de Agosto de 1991. 
Desde pequeno tive sempre uma interação muito profunda com os animais e pelo 
esporte. Comecei montando cavalos desde os 9 anos de idade e aos 15 já 
participava concursos de salto. Aos 37 anos de idade, quando num treino muito 
forte para o que seria a prova mais importante do calendário hípico dos eventos de 
1991, meu cavalo Lorenzo perdeu o equilíbrio no salto e caiu comigo. Tive lesão 
completa das vértebras T3 & T4, com perda completa dos movimentos da altura 
dos ombros para baixo, perdendo inclusive mais de 30% de minha capacidade 
pulmonar. Para mim naquele momento minha vida havia acabado, perdi todo meu 
corpo, não havia a menor perspectiva de alguma recuperação por menor que 
fosse e inda mais tive a impressão de que também iria perder minha vida familiar, 
já casado e com dois filhos, o meu filho com 11 anos e minha filha com 9 anos. 
Naquela época, meu nível espiritual já era um pouco mais elevado do que antes 
do meu casamento, minha esposa foi criada numa família de 10 filhos, com 
profundos valores morais e espirituais e foi nesse ambiente que comecei a 
entender a fundamental importância da presença de Deus na minha vida. 
Naquela época já havia vivenciado dois momentos dramáticos em minha vida, 
minha irmã havia cometido suicídio na minha frente, se atirando do oitavo andar 
do apartamento onde morava e dois anos depois meu pai também cometeu 
suicídio com um tiro no peito. Depois de tudo isto comecei a questionar a real 
presença de Deus em minha vida porque, se presenciei o suicídio de minha irmã e 
de meu pai, e perdi minha “vida” ficando paralítico para sempre, a questão óbvia 
era: “se Deus realmente existe, aonde ele estava quando aconteceram todas 
essas coisas comigo?” Para mim, naquele momento, tudo que havia evoluído na 
minha espiritualidade foi por água abaixo, e mais, tomei a decisão de me matar 
também e pedi para minha esposa que me deixasse e que procurasse alguém que 
pudesse dar uma nova chance de vida para ela e para nossos filhos, porque eu 
não servia para mais nada. 
Depois de dias com este pensamento de suicídio, uma Voz dentro de mim 
começou a dizer por várias vezes: “meu filho tenha PACIÊNCIA, aprenda a ter 
paciência na sua vida, tudo tem seu tempo e motivo para acontecer”. Essa para 
mim foi a nova chave de leitura e de vida dali para frente. 
Chamei minha esposa e filhos para fazer a promessa de que teríamos dali para 
frente uma alta qualidade de vida familiar e que seríamos felizes e mais, apesar do 
fato dos médicos afirmarem que eu teria limitações bastante significativas devido 
ao elevado nível da minha lesão, eu iria me dedicar com tudo que pudesse para 
que voltássemos e ser uma família normal, felizes e com profundos valores morais 
e espirituais. Foi o que aconteceu passados uns dois anos depois. 
Criei uma frase para mim para que nos momentos de profunda dificuldade, eu 
repetia para mim mesmo: 
“NOSSOS LIMITES SÃO ILIMITADOS, SOMOS NÓS QUE MUITAS VEZES OS 
LIMITAMOS”. 
Thomaz Magalhaes